Produção de amônia teve início em 31 de dezembro e marca nova fase para a indústria de fertilizantes em Sergipe
O ano de 2026 começou com uma notícia estratégica para o desenvolvimento econômico de Sergipe com a retomada das operações da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen), em Laranjeiras. A Petrobras anunciou que a unidade voltou a produzir amônia no dia 31 de dezembro de 2025, marcando oficialmente a reativação da planta industrial. O processo de retomada vem sendo acompanhado de perto pelo Governo de Sergipe, por meio da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia (Sedetec), desde as negociações iniciais até a fase operacional.
Localizada na Grande Aracaju, a unidade sergipana volta a funcionar após o Estado garantir condições estruturais e incentivos por meio de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento industrial. A Fafen Sergipe possui capacidade instalada para produzir até 1,8 mil toneladas de ureia por dia. O empreendimento é beneficiado pelo Programa Sergipano de Desenvolvimento Industrial (PSDI) e tem previsão de criar até 1.400 empregos diretos e indiretos.
Com a produção de amônia já iniciada e a previsão de retomada gradual da produção de CO₂ e ureia, a expectativa é de que a Fafen volte a ocupar posição estratégica no cenário industrial do Nordeste, fortalecendo a economia local, gerando empregos e ampliando as oportunidades para os sergipanos.
Impacto na região
Desse total, 338 vagas foram abertas por meio do portal GO Sergipe, plataforma do Governo do Estado que conecta trabalhadores às oportunidades ofertadas pelas empresas. As contratações abrangem diferentes áreas e níveis de formação, com cargos como auxiliar de serviços gerais, pintor industrial, carpinteiro, encanador, almoxarife, eletricista, soldador, assistente administrativo e técnicos em edificações, meio ambiente e segurança do trabalho.
Para quem vive nas cidades próximas à fábrica, a retomada simboliza novas oportunidades. É o caso do morador de Laranjeiras, Christian Ramon dos Santos, beneficiado pelo Mutirão do Emprego, iniciativa do Governo do Estado que aproxima trabalhadores das vagas formais.
“Às vezes, a gente mora perto do local onde tem a oportunidade, mas não consegue chegar. Moro praticamente ao lado da fábrica. Antes, a gente não tinha isso, alguém que pudesse nos ajudar. Seja uma fábrica ou um supermercado: priorizar as pessoas da própria região para dar a oportunidade é muito importante”, considera.
Novo modelo de operação
Implantada pela Petrobras em 1980, a Fafen de Sergipe consolidou-se como um polo estratégico para a produção de ureia, amônia e sulfato de amônio no Nordeste. Sua instalação impulsionou investimentos estruturantes no estado, como obras de abastecimento hídrico, melhorias no fornecimento de energia, transporte e telecomunicações.
Ao longo dos anos, a unidade enfrentou desafios operacionais e períodos de paralisação, mas sempre manteve relevância no parque industrial sergipano. Em 2018, a fábrica entrou em processo de hibernação e, após negociações mediadas pelo Governo de Sergipe, foi arrendada à Unigel em 2019, com retomada das operações em 2021, apoiada por incentivos fiscais e melhorias de infraestrutura.
Arrendada à iniciativa privada desde 2020, a Fafen Sergipe teve suas atividades suspensas em março de 2024, após a então operadora Unigel alegar inviabilidade econômica. Com o encerramento do contrato e a superação dos entraves judiciais, a Petrobras abriu nova licitação para operação das fábricas de Sergipe e da Bahia.
O processo foi concluído em julho de 2025, com seis propostas apresentadas. A vencedora foi a Engeman Manutenção de Equipamentos, com contrato assinado em setembro de 2025, no valor aproximado de R$ 976 milhões. Pelo novo modelo, a Engeman atua como prestadora de serviços de operação e manutenção das unidades, enquanto a Petrobras permanece responsável pelas atividades comerciais.
Fotos: Arthuro Paganini | Fonte: SECOM – Governo de Sergipe


