Com a chegada do outono, em 20 de março, o clima muda e o ar fica mais seco. Para muitas pessoas, essa estação traz um aumento significativo de crises alérgicas e ataques de asma. Entender os motivos e se preparar é fundamental para evitar complicações.
Por que as alergias e a asma pioram no outono?
O outono cria um cenário favorável para o desencadeamento de crises respiratórias:
Mudança de temperatura e umidade
- Os dias ficam mais secos e as noites mais frias;
- O ar seco resseca as mucosas do nariz e das vias aéreas, tornando-as mais sensíveis;
- A variação térmica (calor durante o dia, frio à noite) irrita o sistema respiratório.
Aumento de alérgenos no ambiente:
- A queda das folhas e o acúmulo de matéria orgânica favorecem fungos e mofo;
- A poeira doméstica e os ácaros se concentram mais em ambientes fechados;
- A poluição tende a se acumular devido à menor circulação de ar.
Maior circulação de vírus respiratórios:
- O outono marca o início da temporada de resfriados e gripes;
- Infecções virais são gatilhos frequentes para crises de asma.
Sinais de alerta: quando a alergia ou asma estão descontroladas:
Rinite alérgica:
- Espirros frequentes, coriza e nariz entupido;
- Coceira no nariz, olhos e garganta;
- Olhos vermelhos e lacrimejantes.
Asma descontrolada:
- Falta de ar ou chiado no peito;
- Tosse seca persistente, especialmente à noite ou ao acordar;
- Sensação de aperto no peito;
- Necessidade de usar o broncodilatador com mais frequência.
Se os sintomas atrapalham o sono, as atividades diárias ou exigem uso frequente de medicação de resgate, é sinal de que a doença não está bem controlada.
Plano de controle: como se preparar para o outono:
O controle de alergias e asma envolve três pilares: evitar gatilhos, usar medicação corretamente e monitorar os sintomas.
1. Controle ambiental:
- Manter a casa limpa e arejada, evitando acúmulo de poeira;
- Lavar roupas de cama e cobertores antes de usar (estavam guardados);
- Evitar tapetes, cortinas pesadas e bichos de pelúcia no quarto;
- Usar travesseiros e colchões antialérgicos ou com capas impermeáveis;
- Controlar a umidade (ideal entre 40% e 60%) – usar umidificador se necessário;
- Evitar fumo e ambientes com fumaça.
2. Uso correto dos medicamentos:
- Manter o tratamento de manutenção prescrito pelo médico, mesmo sem sintomas;
- Usar os inaladores corretamente – técnica inadequada reduz a eficácia;
- Ter sempre a medicação de resgate disponível;
- Não automedicar ou interromper o tratamento por conta própria.
3. Monitoramento e plano de ação:
- Conhecer os sinais de alerta de uma crise iminente;
- Ter um plano de ação escrito (combinado com o médico) com orientações claras para cada situação;
- Medir o pico de fluxo expiratório se recomendado;
- Saber quando procurar atendimento de urgência.
Quando procurar atendimento médico?
Busque ajuda imediatamente se houver:
- Falta de ar intensa que não melhora com a medicação habitual;
- Dificuldade para falar ou caminhar pela falta de ar;
- Lábios ou unhas roxas;
- Uso excessivo dos músculos do pescoço para respirar;
- Sonolência ou confusão mental.
Esses sinais indicam uma crise grave e exigem socorro imediato.
Medidas práticas para o dia a dia:
- Vestir-se em camadas para se adaptar às mudanças de temperatura;
- Evitar atividades ao ar livre nos horários de maior poluição ou vento forte;
- Hidratar-se bem para manter as mucosas saudáveis;
- Lavar as mãos frequentemente para evitar infecções virais;
- Atualizar a vacina contra gripe – fundamental para asmáticos e alérgicos.
Resumindo:
- O outono traz clima seco, variação térmica e mais alérgenos — cenário que piora alergias e asma;
- Sintomas frequentes indicam doença descontrolada e merecem atenção médica;
- O controle envolve evitar gatilhos, usar medicação corretamente e ter um plano de ação;
- Crises graves com falta de ar intensa exigem atendimento de urgência;
- Prevenção e acompanhamento médico reduzem crises e melhoram a qualidade de vida.

Alexandre Silva Cardoso, Especialista em Ginecologia e Obstetrícia, especialista em Medicina fetal, Especialista em Medicina de família e comunidade, Pós-graduação em docência para o ensino superior, Escritor do capítulo de Malformações Esqueléticas da 1° edição do livro Medicina Fetal do IMIP, Mestrando em saúde da família pela UFS, Médico de família e comunidade da Secretaria de Saúde de Aracaju, Médico intervencionista do SAMU 192 Sergipe, Preceptor do internato do curso de medicina da UNIT Sergipe no estágio de Medicina de Família e Comunidade, Facilitador do Curso de Especialização em Medicina de família e comunidade do Programa Mais Médicos do UNA/SUS.



