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MARÇO AZUL-MARINHO: SINAIS DE ALERTA E QUEM DEVE RASTREAR O INTESTINO.

Alexandre S Cardoso

O mês de março traz uma campanha fundamental para a saúde pública: o Março Azul-Marinho, dedicado à conscientização sobre o câncer colorretal (intestino grosso e reto). Essa é uma oportunidade para alertar a população sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce – atitudes que salvam vidas.

O que é o câncer colorretal?

O câncer colorretal afeta o intestino grosso (cólon) e o reto. É o terceiro tipo de câncer mais frequente no Brasil e um dos que mais causam mortes, mas também um dos mais preveníveis quando detectado cedo.

A maioria dos casos começa a partir de pólipos, que são pequenas lesões benignas na parede do intestino. Com o tempo, alguns desses pólipos podem se transformar em câncer. Por isso, identificar e remover esses pólipos precocemente é a melhor forma de prevenir a doença.

Sinais de alerta que não devem ser ignorados:

Muitas pessoas demoram a procurar ajuda médica porque os sintomas podem parecer comuns ou “normais”. Fique atento aos seguintes sinais:

  • Sangramento nas fezes (mesmo que em pequena quantidade);
  • Alteração persistente do hábito intestinal – diarreia ou constipação sem explicação clara;
  • Fezes mais finas que o habitual (formato de lápis);
  • Dor ou desconforto abdominal frequente, incluindo sensação de inchaço ou cólicas;
  • Perda de peso involuntária;
  • Fadiga constante (pode indicar anemia por sangramento oculto);
  • Sensação de evacuação incompleta.

Esses sintomas não significam necessariamente câncer, mas exigem investigação médica. Ignorá-los pode atrasar um diagnóstico que poderia ser tratado com mais facilidade.

Quem deve fazer o rastreio?

O rastreio (busca ativa da doença antes dos sintomas) é recomendado para:

  • Pessoas a partir de 45 anos (a idade foi reduzida recentemente, antes era 50);
  • Indivíduos com histórico familiar de câncer colorretal ou pólipos;
  • Pessoas com doenças inflamatórias intestinais, como retocolite ulcerativa ou doença de Crohn;
  • Portadores de síndromes genéticas que aumentam o risco (polipose adenomatosa familiar, síndrome de Lynch).

Os principais exames de rastreio são:

  • Colonoscopia – exame mais completo que permite visualizar e remover pólipos;
  • Pesquisa de sangue oculto nas fezes – exame simples que pode indicar sangramento não visível;
  • Retossigmoidoscopia – avaliação de parte do intestino.

Baixa adesão ao rastreio: um problema real.

No Brasil, a adesão ao rastreio do câncer colorretal é baixa. Estudos mostram que menos de 20% da população elegível realiza os exames recomendados.

Os motivos incluem:

  • Desconhecimento sobre a doença e os exames;
  • Medo ou vergonha em relação à colonoscopia;
  • Falta de acesso a serviços de saúde;
  • Ausência de sintomas (muitos acham que “não precisa fazer se está bem”).

Esse cenário é preocupante porque o câncer colorretal pode não apresentar sintomas nas fases iniciais – justamente quando é mais curável. Quando os sinais aparecem, a doença já pode estar em estágio avançado.

Prevenção salva vidas:

A boa notícia é que o câncer colorretal tem altas chances de cura quando descoberto cedo. Além do rastreio, medidas de prevenção incluem:

  • Alimentação saudável – rica em frutas, verduras, legumes e fibras; reduzir carnes processadas e excesso de gorduras;
  • Manter o peso adequado;
  • Praticar atividade física regularmente;
  • Evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool;
  • Realizar os exames de rastreio conforme orientação médica.

Resumindo:

  • O Março Azul-Marinho alerta sobre o câncer colorretal: terceiro mais frequente no Brasil;
  • Sinais como sangramento nas fezes, alteração intestinal e dor abdominal merecem investigação;
  • Pessoas a partir de 45 anos ou com fatores de risco devem fazer rastreio;
  • A adesão ao rastreio é baixa, mas o diagnóstico precoce salva vidas;
  • Prevenção inclui hábitos saudáveis e exames regulares.

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Alexandre Silva Cardoso, Especialista em Ginecologia e Obstetrícia, especialista em Medicina fetal, Especialista em Medicina de família e comunidade, Pós-graduação em docência para o ensino superior, Escritor do capítulo de Malformações Esqueléticas da 1° edição do livro Medicina Fetal do IMIP, Mestrando em saúde da família pela UFS, Médico de família e comunidade da Secretaria de Saúde de Aracaju, Médico intervencionista do SAMU 192 Sergipe, Preceptor do internato do curso de medicina da UNIT Sergipe no estágio de Medicina de Família e Comunidade, Facilitador do Curso de Especialização em Medicina de família e comunidade do Programa Mais Médicos do UNA/SUS.

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