Por José Carlos
No tradicional Clube CEPE, em Aracaju, o salão de tênis de mesa estava diferente naquela noite. O silêncio era pesado, a expectativa tomava conta de cada canto, e todos sabiam que não seria apenas mais uma partida.
De um lado da mesa estava Carlos Cavalcante, 70 anos, conhecido como “o Idoso do Tênis”. Um verdadeiro patrimônio vivo do tênis de mesa sergipano. Décadas de experiência, reflexos ainda afiados e uma frieza impressionante nos momentos decisivos.
Do outro lado, José Carlos, 42 anos, atleta PCD, competindo com apenas um braço. Determinação estampada no olhar, superação como marca registrada e uma história de luta que inspirava qualquer pessoa presente ali.
O confronto começou equilibrado.
Carlos abriu 1×0 usando sua experiência, variando saques curtos e bolas profundas.
José empatou em 1×1 com ataques rápidos e uma movimentação impressionante, compensando qualquer limitação com inteligência tática.
O terceiro set foi uma batalha psicológica. Carlos venceu por detalhes. 2×1.
Mas José não se entregou. No quarto set, virou bolas impossíveis, arrancou aplausos de pé e empatou novamente: 2×2.
Veio então o quinto e decisivo set.
Cada ponto era comemorado como um gol em final de campeonato. A torcida dividida. Respiração presa. Trocas longas. Defesa contra ataque. Experiência contra superação.
O placar marcava 11 a 11.
Carlos sacou. Rali intenso. Bola raspando na rede. José respondeu com um contra-ataque preciso. 12 a 11 para Carlos.
Match point.
Silêncio absoluto.
O último ponto foi digno de entrar para a história do tênis de mesa sergipano. Troca de mais de dez golpes. José, com apenas um braço, defendendo como um guerreiro. Carlos mudou o ritmo, aplicou um efeito lateral profundo. José ainda alcançou… mas a bola escapou por centímetros.
13 a 11, Carlos venceu por 3 sets a 2.
Mas naquela noite, ninguém saiu derrotado.
O público aplaudiu de pé. Dois atletas, duas gerações, duas histórias de vida cruzadas em uma das partidas mais épicas já vistas no CEPE.
Carlos provou que a experiência não envelhece.
José mostrou que limites existem apenas para quem aceita desistir.
E naquele salão em Aracaju, ficou claro: aquela não foi apenas uma partida. Foi um capítulo da história do esporte sergipano.
Foto: Gerada por IA


