No domingo de Carnaval, Aparecida Matos recebeu uma mensagem que já começava com pressão: “Doutora, ele tá aqui na porta dizendo que vai levar as crianças pro bloco agora. E falou que se eu não deixar, vai ‘resolver do jeito dele’”.
Aparecida pediu que a pessoa respirasse e olhasse o que existia: decisão judicial, acordo, rotina. Havia dias e horários definidos. Aquele momento não era do pai. Mas ele insistia: “É Carnaval. É só hoje”.
O problema é que “só hoje” vira precedente. E precedente vira rotina. E rotina vira briga.
Aparecida orientou uma saída que protege as crianças e reduz risco: comunicação objetiva, sem deboche, sem provocação. Algo como: “Hoje não é seu dia. Se quiser, posso negociar um horário de visita extraordinária, com devolução às 19h. Confirme por mensagem”. Ao mesmo tempo, recomendou registrar tudo: prints, horário, e evitar discussão na frente dos filhos.
O pai recuou, mas deixou ameaça no ar. Aparecida foi firme no ponto principal: visita é direito, mas também é dever — e não se exerce no grito. Quando há conflito, o melhor caminho é formalizar ajustes e, se necessário, buscar a via adequada, sem transformar criança em troféu de feriado.
No final, houve um acordo curto: duas horas, local combinado, devolução certa. As crianças foram, voltaram, e a semana seguiu sem guerra.
Carnaval é festa. Para os filhos, a melhor festa é ver os pais agindo como adultos.
.

Tarcísio Matos, sócio do TMatos Advogados Associados, cursou Doutorado na UNLZ, Professor Universitário, Procurador Municipal e Advogado Militante.
Para acompanhar outros resumos e cases da TMatos Advogados Associados clique aqui



