Dhiego Matos estava na fila de um restaurante quando viu um rapaz discutindo ao telefone: “Eu já paguei, tá aqui o comprovante!”. A pessoa do outro lado insistia: “Pagou errado. Tem que pagar de novo, mas com desconto só hoje”.
Dhiego já reconheceu o cheiro de problema. A história era simples: o rapaz tinha uma dívida antiga. Durante o Carnaval, chegou uma mensagem no WhatsApp com logo bonito, nome de empresa e um boleto com “70% de desconto, válido até 18h”.
Ele pagou na hora.
Só depois percebeu que a conta do boleto não era do credor. Era de terceiro.
Dhiego explicou o básico, sem enrolar: cobrança legítima tem identificação, canal oficial, possibilidade de conferir dados. Em feriado, cresce golpe com urgência (“último dia”, “última chance”) e com promessa de desconto agressivo.
Se a cobrança já está judicializada, pior ainda: existe processo, existe parte, existe forma correta de pagamento — e pagar para o “número errado” não quita a dívida.
O rapaz ficou sem o dinheiro e ainda com a dívida. Dhiego orientou a guardar tudo (prints, comprovante, conversa) e tomar as medidas cabíveis, inclusive registrando ocorrência. Mas deixou claro: recuperar pode ser difícil; o melhor é não cair.
Carnaval passa. Golpe também passa — mas só quando a gente aprende a desconfiar do “bom demais”.
Este texto é informativo e não substitui orientação jurídica para o seu caso.

Tarcísio Matos, sócio do TMatos Advogados Associados, cursou Doutorado na UNLZ, Professor Universitário, Procurador Municipal e Advogado Militante.
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