O Dia Mundial do Sono é celebrado na sexta-feira anterior ao equinócio de março – um lembrete global de que dormir bem não é luxo, é necessidade. A qualidade do sono impacta diretamente a saúde física, mental e até a segurança no trânsito e no trabalho.
Por que o sono é tão importante?
Dormir não é apenas “descansar”. Durante o sono, o corpo realiza processos essenciais:
- Consolidação da memória e aprendizado;
- Regulação hormonal (incluindo hormônios que controlam fome e saciedade);
- Recuperação celular e fortalecimento do sistema imunológico;
- Equilíbrio emocional e saúde mental.
Um adulto precisa de 7 a 9 horas de sono por noite. Porém, não basta apenas a quantidade – a qualidade do sono é fundamental.
Insônia: quando a noite não traz descanso.
A insônia é o distúrbio do sono mais frequente. Caracteriza-se por:
- Dificuldade para iniciar o sono;
- Despertares frequentes durante a noite;
- Acordar muito cedo e não conseguir voltar a dormir;
- Sensação de sono não reparador.
Causas comuns incluem ansiedade, depressão, má higiene do sono, uso de eletrônicos antes de dormir, cafeína em excesso e problemas de saúde.
Quando investigar? Se a insônia ocorre três ou mais noites por semana e persiste por mais de três meses, é hora de procurar ajuda médica.
Ronco: sinal de alerta ou apenas incômodo?
O ronco é comum, mas não deve ser ignorado. Ele ocorre quando há obstrução parcial das vias aéreas durante o sono.
Ronco simples: ocasional, leve, sem interrupção da respiração. Pode estar ligado a cansaço, álcool, posição ao dormir ou obstrução nasal.
Ronco preocupante: alto, frequente, acompanhado de pausas respiratórias. Esse é um sinal clássico de apneia do sono.
Se alguém relata que você “para de respirar” durante o sono, isso exige investigação médica urgente.
Apneia obstrutiva do sono: um perigo silencioso.
A apneia obstrutiva do sono é caracterizada por interrupções repetidas da respiração durante o sono. Cada pausa pode durar de alguns segundos a um minuto, e podem ocorrer dezenas ou centenas de vezes por noite.
Sinais de alerta:
- Ronco alto e irregular;
- Pausas respiratórias observadas por outra pessoa;
- Sonolência excessiva durante o dia;
- Dor de cabeça matinal;
- Dificuldade de concentração e memória;
- Irritabilidade e alterações de humor.
Consequências graves se não tratada:
- Hipertensão arterial;
- Arritmias cardíacas e maior risco de infarto e AVC;
- Diabetes tipo 2;
- Depressão e ansiedade;
- Queda na produtividade e desempenho no trabalho;
Produtividade, saúde mental e acidentes por sonolência.
A privação crônica de sono tem consequências que vão muito além do cansaço:
Produtividade e saúde mental:
- Queda na concentração e criatividade;
- Dificuldade de tomada de decisões;
- Maior risco de depressão e ansiedade;
- Absenteísmo e presenteísmo no trabalho.
Acidentes por sonolência:
- A sonolência ao volante é tão perigosa quanto a embriaguez;
- Estudos mostram que ficar 17 horas sem dormir equivale a um nível de álcool de 0,5 g/L no sangue;
- Motoristas profissionais, operadores de máquinas e trabalhadores em turnos noturnos estão especialmente vulneráveis.
Sonolência excessiva diurna nunca é normal — é um sinal de que algo está errado com o sono.
Quando procurar investigação médica?
Busque avaliação especializada se você apresenta:
- Insônia frequente e persistente;
- Ronco alto com pausas respiratórias;
- Sonolência excessiva durante o dia, mesmo após dormir;
- Queda de desempenho no trabalho ou estudos;
- Histórico de acidentes ou quase-acidentes por sonolência;
- Hipertensão de difícil controle associada a ronco.
O médico pode solicitar exames como a polissonografia – o “padrão-ouro” para diagnosticar apneia e outros distúrbios do sono.
Dicas para uma boa noite de sono:
- Manter horários regulares de dormir e acordar (mesmo nos fins de semana);
- Evitar telas e eletrônicos pelo menos 1 hora antes de dormir;
- Criar um ambiente escuro, silencioso e fresco;
- Evitar cafeína e álcool nas horas que antecedem o sono;
- Não fazer refeições pesadas à noite;
- Praticar atividade física regular, mas não próxima ao horário de dormir;
- Tratar problemas de saúde que interferem no sono (rinite, refluxo, ansiedade).
Resumindo:
- O Dia Mundial do Sono alerta para a importância do sono de qualidade;
- Insônia frequente, ronco alto e sonolência diurna merecem investigação;
- A apneia do sono é uma condição séria, com riscos à saúde cardiovascular e mental;
- A privação de sono afeta produtividade e aumenta risco de acidentes;
- Sono adequado é pilar fundamental da saúde – tão importante quanto alimentação e exercício.

Alexandre Silva Cardoso, Especialista em Ginecologia e Obstetrícia, especialista em Medicina fetal, Especialista em Medicina de família e comunidade, Pós-graduação em docência para o ensino superior, Escritor do capítulo de Malformações Esqueléticas da 1° edição do livro Medicina Fetal do IMIP, Mestrando em saúde da família pela UFS, Médico de família e comunidade da Secretaria de Saúde de Aracaju, Médico intervencionista do SAMU 192 Sergipe, Preceptor do internato do curso de medicina da UNIT Sergipe no estágio de Medicina de Família e Comunidade, Facilitador do Curso de Especialização em Medicina de família e comunidade do Programa Mais Médicos do UNA/SUS.



