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DIA MUNDIAL DO SONO: INSÔNIA, RONCO E APNEIA – QUANDO INVESTIGAR?

Alexandre S Cardoso

O Dia Mundial do Sono é celebrado na sexta-feira anterior ao equinócio de março – um lembrete global de que dormir bem não é luxo, é necessidade. A qualidade do sono impacta diretamente a saúde física, mental e até a segurança no trânsito e no trabalho.

Por que o sono é tão importante?

Dormir não é apenas “descansar”. Durante o sono, o corpo realiza processos essenciais:

  • Consolidação da memória e aprendizado;
  • Regulação hormonal (incluindo hormônios que controlam fome e saciedade);
  • Recuperação celular e fortalecimento do sistema imunológico;
  • Equilíbrio emocional e saúde mental.

Um adulto precisa de 7 a 9 horas de sono por noite. Porém, não basta apenas a quantidade – a qualidade do sono é fundamental.

Insônia: quando a noite não traz descanso.

A insônia é o distúrbio do sono mais frequente. Caracteriza-se por:

  • Dificuldade para iniciar o sono;
  • Despertares frequentes durante a noite;
  • Acordar muito cedo e não conseguir voltar a dormir;
  • Sensação de sono não reparador.

Causas comuns incluem ansiedade, depressão, má higiene do sono, uso de eletrônicos antes de dormir, cafeína em excesso e problemas de saúde.

Quando investigar? Se a insônia ocorre três ou mais noites por semana e persiste por mais de três meses, é hora de procurar ajuda médica.

Ronco: sinal de alerta ou apenas incômodo?

O ronco é comum, mas não deve ser ignorado. Ele ocorre quando há obstrução parcial das vias aéreas durante o sono.

Ronco simples: ocasional, leve, sem interrupção da respiração. Pode estar ligado a cansaço, álcool, posição ao dormir ou obstrução nasal.

Ronco preocupante: alto, frequente, acompanhado de pausas respiratórias. Esse é um sinal clássico de apneia do sono.

Se alguém relata que você “para de respirar” durante o sono, isso exige investigação médica urgente.

Apneia obstrutiva do sono: um perigo silencioso.

A apneia obstrutiva do sono é caracterizada por interrupções repetidas da respiração durante o sono. Cada pausa pode durar de alguns segundos a um minuto, e podem ocorrer dezenas ou centenas de vezes por noite.

Sinais de alerta:

  • Ronco alto e irregular;
  • Pausas respiratórias observadas por outra pessoa;
  • Sonolência excessiva durante o dia;
  • Dor de cabeça matinal;
  • Dificuldade de concentração e memória;
  • Irritabilidade e alterações de humor.

Consequências graves se não tratada:

  • Hipertensão arterial;
  • Arritmias cardíacas e maior risco de infarto e AVC;
  • Diabetes tipo 2;
  • Depressão e ansiedade;
  • Queda na produtividade e desempenho no trabalho;

Produtividade, saúde mental e acidentes por sonolência.

A privação crônica de sono tem consequências que vão muito além do cansaço:

Produtividade e saúde mental:

  • Queda na concentração e criatividade;
  • Dificuldade de tomada de decisões;
  • Maior risco de depressão e ansiedade;
  • Absenteísmo e presenteísmo no trabalho.

Acidentes por sonolência:

  • A sonolência ao volante é tão perigosa quanto a embriaguez;
  • Estudos mostram que ficar 17 horas sem dormir equivale a um nível de álcool de 0,5 g/L no sangue;
  • Motoristas profissionais, operadores de máquinas e trabalhadores em turnos noturnos estão especialmente vulneráveis.

Sonolência excessiva diurna nunca é normal — é um sinal de que algo está errado com o sono.

Quando procurar investigação médica?

Busque avaliação especializada se você apresenta:

  • Insônia frequente e persistente;
  • Ronco alto com pausas respiratórias;
  • Sonolência excessiva durante o dia, mesmo após dormir;
  • Queda de desempenho no trabalho ou estudos;
  • Histórico de acidentes ou quase-acidentes por sonolência;
  • Hipertensão de difícil controle associada a ronco.

O médico pode solicitar exames como a polissonografia – o “padrão-ouro” para diagnosticar apneia e outros distúrbios do sono.

Dicas para uma boa noite de sono:

  • Manter horários regulares de dormir e acordar (mesmo nos fins de semana);
  • Evitar telas e eletrônicos pelo menos 1 hora antes de dormir;
  • Criar um ambiente escuro, silencioso e fresco;
  • Evitar cafeína e álcool nas horas que antecedem o sono;
  • Não fazer refeições pesadas à noite;
  • Praticar atividade física regular, mas não próxima ao horário de dormir;
  • Tratar problemas de saúde que interferem no sono (rinite, refluxo, ansiedade).

Resumindo:

  • O Dia Mundial do Sono alerta para a importância do sono de qualidade;
  • Insônia frequente, ronco alto e sonolência diurna merecem investigação;
  • A apneia do sono é uma condição séria, com riscos à saúde cardiovascular e mental;
  • A privação de sono afeta produtividade e aumenta risco de acidentes;
  • Sono adequado é pilar fundamental da saúde – tão importante quanto alimentação e exercício.

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Alexandre Silva Cardoso, Especialista em Ginecologia e Obstetrícia, especialista em Medicina fetal, Especialista em Medicina de família e comunidade, Pós-graduação em docência para o ensino superior, Escritor do capítulo de Malformações Esqueléticas da 1° edição do livro Medicina Fetal do IMIP, Mestrando em saúde da família pela UFS, Médico de família e comunidade da Secretaria de Saúde de Aracaju, Médico intervencionista do SAMU 192 Sergipe, Preceptor do internato do curso de medicina da UNIT Sergipe no estágio de Medicina de Família e Comunidade, Facilitador do Curso de Especialização em Medicina de família e comunidade do Programa Mais Médicos do UNA/SUS.

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