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Volta às aulas com Saúde: como reduzir viroses em crianças e adultos?

Alexandre S Cardoso

Com a volta às aulas, salas cheias, recreios com muita interação e ambientes fechados por longos períodos criam o cenário perfeito para o aumento de viroses respiratórias, especialmente resfriados e síndromes gripais. Isso acontece porque, nesse período, há uma combinação clássica: mais contato próximo, mais gotículas e aerossóis no ar, compartilhamento de objetos, além de crianças pequenas ainda estarem aprendendo (na prática) hábitos de higiene — como cobrir a tosse e não levar a mão ao rosto o tempo todo.

É comum que as famílias percebam um “efeito dominó”: a criança volta a conviver com muitos colegas, pega um resfriado leve e, em poucos dias, a casa inteira está com sintomas. Isso não significa “baixa imunidade” necessariamente; na maioria das vezes é simplesmente alta exposição. Em escolas e creches, vírus respiratórios circulam com facilidade porque basta uma pessoa com tosse, espirros ou nariz escorrendo para contaminar superfícies e o ar ao redor, principalmente se o ambiente tiver pouca ventilação.

Por que os surtos aumentam em escola?

Resfriados e gripes se espalham principalmente por:

  • Contato direto (mãos, abraços, brincadeiras próximas).
  • Contato indireto (brinquedos, lápis, copos, maçanetas, celulares).
  • Ar (gotículas e aerossóis, sobretudo em salas fechadas e lotadas).

Crianças tendem a transmitir mais porque:

  • Têm mais secreção nasal, tosse e contato físico.
  • Ainda não consolidaram hábitos como lavar as mãos bem e evitar tocar olhos/nariz/boca.
  • Muitas vezes permanecem na escola mesmo com sintomas leves (o que é compreensível, mas favorece a disseminação).

O que dá para fazer, na prática, para reduzir viroses (sem “neura”)

A ideia não é criar um ambiente “estéril” (isso nem é possível), mas reduzir a chance de transmissão e, quando alguém adoecer, encurtar a cadeia de contágio.

1) Ventilação: o ponto mais subestimado
Ambientes fechados e cheios são um acelerador de surtos. Medidas simples ajudam muito:

  • Priorizar janelas abertas e circulação de ar sempre que possível.
  • Evitar salas “abafadas”, principalmente em dias de chuva ou calor.
  • Se houver ar-condicionado, o ideal é combinar com renovação de ar (quando disponível) e evitar manter tudo hermeticamente fechado por horas.

2) Higiene das mãos: mais eficaz do que parece             
Lavar as mãos reduz transmissão por contato com superfícies e secreções.

  • Ensinar o básico: água e sabão antes de comer e após banheiro/assoar o nariz.
  • Quando não der: álcool 70% (sob supervisão em crianças pequenas).
  • Em casa, vale reforçar ao chegar: lavar as mãos e, se a criança está com coriza, ajudar a criar rotina de higiene sem bronca.

3) Etiqueta respiratória: pequenos hábitos, grande impacto

  • Tossir/espirrar no antebraço (não na mão).
  • Usar lenço e descartar; se não tiver, antebraço de novo.
  • Evitar compartilhar itens que vão à boca: garrafas, canudos, talheres.

4) Vacinas em dia (principalmente para reduzir casos graves e faltas)

Para “surtos de gripe”, a ferramenta mais direta é a vacinação contra influenza, quando indicada e disponível no calendário/serviço local. Ela não impede 100% das infecções respiratórias (porque existem muitos vírus), mas reduz risco de complicações, internações e dias perdidos. Para famílias com idosos, gestantes ou pessoas com comorbidades em casa, isso costuma ser ainda mais relevante.

5) Sono e rotina: proteção indireta, mas real

Na volta às aulas, muitos dormem menos e se alimentam pior. Isso não “cria vírus”, mas pode piorar a recuperação e aumentar chance de sintomas mais intensos.

  • Ajustar o horário de sono alguns dias antes do início das aulas.
  • Manter hidratação e alimentação regular.

Quando o quadro é “resfriado” e quando pode ser algo a observar mais de perto?

Em geral, resfriado e síndrome gripal começam com coriza, espirros, dor de garganta, tosse, às vezes febre e indisposição. O importante é observar o estado geral e sinais de alerta.

Sinais de alerta (procurar avaliação médica, especialmente em crianças):

  • Dificuldade para respirar, cansaço para falar/brincar, “tiragem” (afundamento entre costelas).
  • Prostração importante (muito sonolento, difícil de acordar, muito abatido).
  • Desidratação (muito pouca urina, boca seca, choro sem lágrima).
  • Febre alta persistente ou febre que melhora e depois volta com piora do quadro.
  • Dor intensa no ouvido, dor no peito, chiado importante, ou piora progressiva.

E o uso de antibiótico?

Um ponto importante em surtos escolares é evitar a “confusão” entre vírus e bactéria. A maioria esmagadora dos casos é viral, e antibiótico não trata virose. Usar sem indicação pode causar efeitos colaterais e contribuir para resistência bacteriana. A decisão de antibiótico depende de avaliação clínica e, quando necessário, exames complementares.

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Alexandre Silva Cardoso, Especialista em Ginecologia e Obstetrícia, especialista em Medicina fetal, Especialista em Medicina de família e comunidade, Pós-graduação em docência para o ensino superior, Escritor do capítulo de Malformações Esqueléticas da 1° edição do livro Medicina Fetal do IMIP, Mestrando em saúde da família pela UFS, Médico de família e comunidade da Secretaria de Saúde de Aracaju, Médico intervencionista do SAMU 192 Sergipe, Preceptor do internato do curso de medicina da UNIT Sergipe no estágio de Medicina de Família e Comunidade, Facilitador do Curso de Especialização em Medicina de família e comunidade do Programa Mais Médicos do UNA/SUS.

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