As recentes ofensivas políticas direcionadas ao pré-candidato ao Senado André Moura reacenderam um velho debate sobre a forma como Sergipe conduz suas disputas eleitorais — e, mais do que isso, expuseram o tamanho do lugar que o estado busca ocupar no cenário nacional. Moura, que já demonstrou força em diferentes momentos de sua carreira, volta ao centro de uma disputa marcada não por ideias, mas por ataques velhos, reciclados e, segundo ele mesmo, “previsíveis”.
É impossível ignorar a realidade: quando um nome desponta nas pesquisas, o jogo muda de tom. O volume de acusações contra Moura, todas retomadas justamente no momento em que sua pré-candidatura começa a se consolidar, indica claramente que ele se tornou o alvo preferencial de setores que temem seu crescimento. Não é a primeira vez que Sergipe assiste a esse roteiro — e, certamente, não será a última.
Um estado em busca de representatividade de peso
A discussão, entretanto, vai além de Moura. Tocamos aqui num ponto central: Sergipe sofre com a falta de representatividade forte em Brasília. Há anos, o estado tenta recuperar o protagonismo perdido e, nesse processo, figuras com trânsito nacional incomodam, justamente porque alteram a lógica de poder interna.
André Moura, que já ocupou posições estratégicas no Congresso e atraiu para Sergipe um volume incomparável de recursos federais, tornou-se um nome com potencial real de reposicionar o estado na mesa das grandes decisões. E isso, inevitavelmente, gera reação.
A política sergipana tem dificuldade histórica em conviver com lideranças de projeção nacional. Basta lembrar que todo nome que cresceu além das fronteiras do estado virou alvo de campanhas intensas de desconstrução. Moura parece reviver esse ciclo agora.
Ataques como estratégia de sobrevivência
Se seus adversários estivessem munidos de projetos estruturantes, entregas concretas ou debates consistentes, talvez o cenário fosse outro. Mas o que se vê é um movimento baseado quase exclusivamente na retórica do “desgaste”, como se destruir o oponente fosse mais importante do que discutir o futuro de Sergipe.
Reciclar denúncias antigas, ressuscitar narrativas já esclarecidas e promover dossiês improvisados não contribui em nada para o debate eleitoral. Pelo contrário: rebaixa a política local e empobrece o eleitor.
Há uma diferença enorme entre fiscalizar uma figura pública — algo legítimo e necessário — e transformar a campanha numa espiral tóxica de ataques sem lastro. E o que se vê hoje é claramente a segunda opção.
Sergipe não pode se dar ao luxo de perder mais tempo
A disputa para o Senado em 2026 será crucial para determinar o peso político do estado nos próximos anos. O país passa por reorganizações importantes, e o Congresso voltou a ser protagonista nas decisões que moldam investimentos, infraestrutura e políticas públicas.
Se Sergipe quiser aumentar sua influência, precisa apostar em nomes capazes de dialogar, articular e entregar. O histórico de Moura, goste-se ou não dele, indica que poucos fizeram tanto pelo estado em termos de captação de recursos federais.
Isso explica a intensidade dos ataques? Sem dúvida. Mas também revela algo maior: quanto mais Sergipe cresce politicamente, mais enfrentará resistência daqueles que lucram com sua estagnação.
O eleitor será o juiz final
A pré-campanha apenas começou, e a guerra narrativa já está instaurada. A Justiça terá seu papel, como o próprio pré-candidato prometeu ao anunciar que acionará mecanismos legais diante de eventuais crimes de honra. Mas, no fim, será o eleitor sergipano quem decidirá se quer um senador de projeção nacional ou se continuará preso ao velho ciclo de pequenas disputas internas.
O debate está posto. E Sergipe, agora mais do que nunca, precisa olhar para frente — não para o retrovisor.
Foto: Diógenes


